Dos Três Mal-Amados Palavras de Joaquim
by Bloom 06
O amor comeu o meu nome, minha identidade, meu retrato.
O amor comeu a minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço.
O amor comeu os meus cartões de visita.
O amor veio, e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços e minhas camisas.
O amor comeu metros e metros de gravatas.
O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus.
O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos, e de meus cabelos.
O amor comeu minha paz e minha guerra, meu dia e minha noite, meu inverno e meu verão.
Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
O amor comeu a minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço.
O amor comeu os meus cartões de visita.
O amor veio, e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços e minhas camisas.
O amor comeu metros e metros de gravatas.
O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus.
O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos, e de meus cabelos.
O amor comeu minha paz e minha guerra, meu dia e minha noite, meu inverno e meu verão.
Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
João Cabral de Melo Neto.
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